Cantos erectos - Ricardo Máximo

 

       Anos após estrear, em 1983, com um livro de poesias dos mais festejados  - “O século XXI  como antídoto”, com prefácio de Moacyr Félix e orelha escrita por Pedro Nava, além de ter sido alvo da última crônica de poesia de Alceu Amoroso Lima/Tristão de Athayde, Ricardo Máximo se reapresenta à cena literária  através de Cantos Erectos, onde amplia sua experiência com a palavra, através de um fazer poético que se articula nos entremeios do individual e do social, no jogo dialético das grandes metáforas e no prazer – desejo  de expressar-se por inteiro. 
      Neste  “Cantos Erectos”, perpassa o que Alfredo Bosi, ao prefaciá-lo, coloca como  sendo  a idéia matriz do enfrentamento viril, da tensão combatente, da aguerrida negação do que aí está, fim de século, fim- de-milênio despencando na violência e na cegueira do não-sentido universal, dimensão em que o poeta se define: Sou um poeta disfarçado e medusado em professor .E meu maior desejo estético é destruir um carro-forte a golpes de cuspe.  
 

A FLAMEJANTE RADIOSCOPIA 

Poeta é o inverso da lei ! 

À lei poeta é averso 

Que poeta é sujeito a versos 
Que poeta é sujeito Versus 
Que poeta  é sujeito reverso 
da ordem que erode a ode 
do abjeto dejeto no objeto 

Que poeta 
o que verbera verbo vero 
persegue 
desobstruir os veios do mundo; 
Poemodiálise, Poemodiálise! 
Que poeta 
é o mártir alegríssimo 
de seu gerúndio trajeto: 
flama que garanha a fleuma 
o poeta é o vetor do veto! 
  

Máximo, Ricardo. Cantos erectos. Rio de Janeiro, UAPÊ,1999. (126 p.)