Poemas de Afonso
Henriques Neto
A paisagem não vale a pena.
Pesa dizê-lo assim tão duramente,
mas o que posso fazer contra os mascarados
que penetraram os altos muros
e agora coabitam os aposentos desolados?
Já não vale a pena a manhã.
Os embuçados chegaram em surdina
e foram destroçando todos os pilares,
todas as primaveras, as lúcidas esperanças,
vultos tão horrendos que paralisaram o dia.
A noite não significa mais nada.
As casas dormem e não significam nada.
O vento cortou-se em mil fatias de desespero.
Que dimensão canta além da treva,
a face repousada, os olhos claros?PARA JIMI HENDRIX, PARA MIM E TODOS VOCÊS
sua música soando em minha (sua) cabeça
música suando (o concreto na neblina desmaiando)
fragmento ser (fragmento galáxia)
vertigem na sensação dos ossos
placas de silêncio no labirinto desertosua palavra
onde?impedido de voar
agora é a abstração da ave sem olhos
sem radar
imagem - vácuo
sob morta (in)consciênciaseu universo
onde?mugir lâmpadas de meia-noite
oh radical lua da ausência
louco louco sim
linguagens todas inúteis
na pele inútil do temposua energia
onde?
Oh espina clavada en el hueso
hasta que se oxiden los planetas
( Federico Garcia Lorca)
O texto, escura escama, pesadelo de eternidade,
máscara densa do universo vomitando.
O texto, mas não a energia que o pensou,
interrogando a simultaneidade absoluta.
Há uma esperança nas ruas, nas pedras, no acaso
de tudo, uma esperança, uma forma suspensa
entre o aparente e a essência, entre o que vemos
e a substância, uma esperança, uma certeza talvez
de que o rio não se dissolva no mar, de que
o ínfimo, o precário, a voz, a sombra,
o estalar das carnes na explosão
não se dispersem no todo, impensável medusa da inexistência.
Há uma luz qualquer sonhando integração, o suposto
destino dos ventos, das energias globais, a suposta
sabedoria com que o homem fecundou a crosta
envenenada do planeta, há uma luz qualquer
ensaiando águas pensadas no eterno esvair-se,
abstrato expansionário, há uns olhos além
da frágil realidade, da terrível matança, da
cruel carnificina entre seres pestilentos aquém
da fronteira do sonho, um texto além do texto,
uma esperança talvez, enquanto somos e nos cumprimos,
enquanto somos e nos oxidamos, enquanto
somos e prosseguimos.
![]()
Vomitaram trinta estrelas nesse charco
de líquidos corpos empoçados.
Nas tocas iluminadas os que se iniciam na morte
fantasmas de si mesmos
fecundam ritmos e bússolas e fracassos.
Há desgosto e música na atmosfera branca
negra.
Vomitaram trinta estrelas talvez mais
mas o buraco se fecha.
Em silêncio algumas flores resistem
nas verdes gramas do sol.
![]()
engole o peixe com a espinha
e tocarás a guelra de Deusaprende todas as palavras
antes de reduzi-las a Uma
se lhes derem Kennedy ou Kruschev ou De Gaulle
não acreditem nesta única realidade
neste implacável colar de conchas de arse lhes derem os códigos os gestos as modas
não acreditem nesta enlatada realidade
nesta implacável aranha de invisíveis fiosse lhes derem a esperança o progresso a palavra
não acreditem na imposta realidade
na implacável engrenagem das hélices de vácuoaprendam a olhar atrás do espelho
onde a história jamais penetra
a profunda história do não registrado
aprendam a procurar debaixo da pedra
a estória do sangue evaporado
a estória do anônimo desastre
aprendam a perguntar
por quem construiu a cidade
por quem cunhou o dinheiro
por quem mastigou a pólvora do canhão
para que as sílabas das leis fossem cuspidas
sobre as cabeças desses condenados ao silêncio
![]()
a romã da morte madura
no vácuo de estrela e água
a romã da morte amargura
no prado da madrugadagranada
fonte de espinhosgranada
profano vinhoromã da morte madura
na prata da madrugada(no azar de sombra e caveira
algemas de fogo e nada)granada
carrasco na arena geladacães mastigando o assombro
em estilhaços na estradagranada
estrelas de sangue e de neve
horizontes descarnados
sol sem luz
torta manhã
nos olhos
(seca romã)
de federico parado
de federico dormido
de federico cuspido
de federico e seu nadagranada
lados feridos
granada
assassina estrada
de cães de lua e labirinto
corpos lançados nos rios
corpos salgados nos frios
fascista florada e martírio
granada
nenhuma estrada(pois além de federico
a poesia e a morte
bailam máscaras e acasos
no despenhadeiro de traços
e verbos de federico
a infinita manhã
naquele instante esgotado)
o tio cuspia pardais de cinco em cinco minutos.
esta grama de lágrimas forrando a alma inteira
(conforme se diz da jaula de nervos)
recebe os macios passos de toda a família
na casa evaporada
mais os vazios passos
de ela própria menina.
a avó puxava linhas de cor de dentro dos olhos.
uma gritaria de primos e bruxas escalava o vento
escalpelava a tempestade
pedaços de romã podre
no bolor e charco do tanque.
o pai conduzia a festa
como um barqueiro
puxando peixes mortos.
nós
os irmãos
jogávamos no fogo
dentaduras pétalas tranças
fotografias cuspes aniversários
e sempre
uma canção
só cal e ossos
a mãe de nuvem parindo orquídeas no cimento.
![]()
eu sei onde ladram os ventos pelos ladrilhos
dos mistérios inexistentes.
eu sei de que matéria esta sensação de derrota
é feita, moldada, entre instrumentos de tortura
e pálpebras e espelhos amassados.
eu sei dos que falam no escuro a flauta da voz
das fábulas.
eu sei através do vídeo o vácuo do sangue atrás e além
da imagem, violentos planetas vomitando o drama.
eu sei as tartarugas infinitas.
os bodes expiatórios.
os lavabos cheios de unhas vivas.
a eternidade do gesto humano
morrendo no longo tombadilho.
sei das certezas e incertezas verdes.
sei do resumo de tudo dançando na chuva mais cotidiana.
só não sei do teu sorriso se diluindo em nuvem.
só não sei do teu corpo quase infantil
de mulher amanhecida.
só não sei do timbre de tua voz
entre borboletas e musgos fluindo do único verbo.
só não sei do opalescente rastro de teus pés
entre cachoeiras apagadas.
só não sei da galáxia a resumir vazia
o silêncio mortal de tua alma quebrada.
ai de mim
que eras ouro e breve.
![]()
MAIS UMA VEZ
o menino chora no meio da noite
no meio da praça
no meio do coração.
o menino chupa laranjas e abismos
as bombas caem.
está sozinho no meio do oceano
no meio de cem milhões
no meio do infinito.
o menino desenha navios submersos
enquanto chovem granadas
enquanto mais uma vez
o povo é saqueado.
o menino chora sob um turbilhão
de cavalos em febre
sob um teia de equívocos e fracassos.
estamos no meio da noite barroca
no meio da praça
onde os tiranos engolem o ouro
no meio do coração torturado
por mil punhais envenenados
e um punho de sombra redigindo lei imóveis.
o menino uiva um labirinto
(não há pai nem mãe
nem lembrança de ternura
para consolar o pranto).
o menino uiva uma farpa de cristal
um relâmpago de estrelas podres
o abandono definitivo
(não há luz no quarto
onde o menino chora
sob um fedor de sinfonia
estarrecida).
no meio da fome
no meio da morte
no meio do coração.alguma ciência
para se descobrir um cadáver:
levantar com estrondo a tampa do baú,
seguir a linha de sangue e desespero
até a cabeça decepada,
abrir devagar a porta do armário
rangendo
sombras e dentes,
arrancar do vento
a estrela do grito da criança enforcada,
esperar a visita do demônio com a mesa posta,
olhar-se até o fundo
no espelho;
alguma ciência
para se parir cobras e lagartos:
refletir nos olhos inocentes
o massacre da multidão traída,
vomitar um conto de fadas e mitos redondos
na caveira da menina
roendo uma boneca vermelha,
cravar a roseira entre as asas da andorinha,
dançar no baile dos homens de bigode
todos fêmeas sob a capa de drácula;
alguma ciência
para se tecer escândalos:
sorrir candidamente
quando uma perna brotar lentamente
dos músculos do seu ombro esquerdo,
dar de mamar a um rato
e a um filhote de leopardo,
esporrar de amor no meio da avenida,
semear meteoros cabeludos e megeras arrotando
no leite de vaca da santa trindade,
ser o grande rio das palavras
e navegar o sol popular da fome
e da rebeldia.
![]()
a mecânica desses jardins em nenhum relógio
se revela, ao modo de bruxos na frase
do livro feito areia do céu onde sonhamos
a palavra do anjo, a sílaba do tempo,
o incomunicado silêncio de costas
para as constelações do azul inumeráveldigo das substâncias que se roeram em nós,
corpos amigos em sepulturas pálidas,
digo deste sono que meu pai cravou
em minhas costas e que cravo nas costas
de meus filhos, à maneira de asas, talvez anjos,
já vos disse, este jeito de sorrir
e amar o humano, herança do que me resta
![]()
nada a desenhar
sob o diamante do ollhar
poeta no abismo
medularnem há no fundo
do coração do mundo
sonho ou vento demiurgo
que tudo venha explicarcarne ou metáfora não importa
sendo nada tudo alcança:
o poeta é a viagem
mesmo contra a esperança
![]()
pelo silêncio do som
pela risada do fim
joplinpela certeza do incerto
pelo infinito de tênis
janispela comovedora explosão
pelo galático spleen
janis joplin
![]()
O chão pedrento repele a flor de Minas.
Pedro Nava escava
os humores da terra penetrando.
Turvos tumores de entre lenda e sonho
lancetando.
Pedro Nava pedra
Pedro Nava ave
o chão de Minas é planeta denso
orbitando o doce amor em flor amarga.
Mas se lenda e sonho não suportam
a luz do dia sobre tanta lava,
se cristalizam, Nava, e a realidade
o tempo costura e cicatriza
para que esplenda a palavra exata.
E tudo se conforma
sobre o ser informe a rebelar-se.
Mágico pastor de paixão já naufragada
e que abismo algum saberia decifrar
não fosse florir Minas à beira-mar tecendo
trêmulo casulo do segredo, granito,
memória iluminada de infinito.
![]()
EM HERÁCLITO, COM BORGES
Heráclito desliza na manhã
em Nova York. O músculo do tráfego
(para dizer assim, vento prosaico)
no seu sonho relê sentença eterna
de que o mesmo rio duas vezes
nenhuma imagem verá
em suas águas. E esta gema de absoluto
(verdade, ficção da ironia?)
reverdescendo velhos poemas
é diadema urdido no poeta, flama e
destino, sangue do espírito, delírio
à mesa de Borges (negra Genebra),
punhal de um floral agosto,
irrevogável. Oh tigre cintilante
do sol-posto! Heráclito, nada
mas já espelho, Borges, infinito,
máscara a mastigar o próprio rosto.
![]()
Aqui tempo e espaço se
sintonizam ao clarão das galáxias. Joaquim Cardoso dirige o
trem do sonho e da morte, descobre a fórmula do abismo,
racionaliza a explosão do anjo e do demônio, inaugura a
escritura implacável do silêncio. Costuma passear
onipotentemente sobre as ruínas da solidão. Navegações
teóricas nos abismos do som. Ele caminha com sapatos de borracha
no fundo mar. Pela matemática inventa o infinito ou pelo
infinito escreve a matemática? Produtor de irrealidades, impera
com orgulho sobre as leis do absurdo. (Um pássaro todo pensado
em equações flutua sobre o canavial congelado, outro e mesmo
Pernambuco, fusão de ciência e poesia, vento e dramaturgia,
mágica revelação.). Sapatos de borracha no fundo do mar: lente
de aumento sobre o invisível.
último espasmo da lua
e os sumaríssimos suspiros.
trigonometria água lustral anjos cubistas
relógio de fogo.
algo enlouqueceu
nos pássaros do olhar.
o bonde e o violão se espandongam
rangem no sangue
entardecer do tempo.
pensamento a soabrir a pálpebra
para fora da luz
antiuniverso da matéria
sem palavras.
orfeu hidrofeu catastrândula.
entre os mortos
e a congestão nasal
passeia um sacerdote antiquíssimo
e a sábio indiferença
do abismo oval.
tudo enlouqueceu
às vésperas do sonho.
todos os telhados se evaporaram
e a infância.
restou aquele menino magro
mirando a tristeza infinita
dos meteoros sem deus.
![]()
.......um poema que seja necessário como uma árvore
uma selva
uma casa
um prato de ostras vivas
um poema paisagem de violinos de ouro
e depois o silêncio do texto
a branca espuma
estrangulando aos poucos a alvura mesma do cisneII
um poema necessário como o morte
este pré-texto chamado vida
e o jamais escrito na luz
pulsação de sombra no vidro onde a memória
deposita imagens
buquês de nada no rosto envelhecido
e flores floresIII
um poema tão pouco necessário
como o amor ressecado
do outro lado de tudoIV
um poema de mãos atravessando a neblina
citando cítaras de maio
flora sem raiz
infotografável.
nenhuma metáfora definitiva
ovos de vulcão
pulmão de ossos.
(quando tudo estiver esquecido
não se esqueça do rio de relâmpagos
que beijei no seu sorriso).
música das ruas.
no mais sempre se nasce
projeta desfalece.
fugace o mar em gelatina
seca.
infotografável.
![]()
empurre as mãos lentamente
através da pele do rio
até tocar o coração da beleza
(ruína do tempo impenetrável)depois as retire lentamente
como se puxasse do infinito
a respiração
da criança nascendo
uma floresta de anjos são cordeiros
degolados
cortina de facas na direção aurora
oco da boca antes da luz
oco-palavrauma floresta de anjos examina com rigor
o tempo o texto o torvo
mas se cala na véspera
do humano..........
tempo tempo
elucidai o violino entardecentemanhã e vento azuis
(o que fizeres
não fizeres
antes depois
vazio inclemente)
treva e mente escarlatemeu tempo
relâmpago sobre verbos mortos
esclarecei o vôo do cristal
o gume da luz o agudo hino
ó sonho do nada sobre o mar divino
![]()
nada existe, celebremos
a alegria.
o nascer e o morrer
não nos acontece.
só para os outros
somos espetáculo.
há vento em excesso
pelos buracos da linguagem.
um jardim muito espesso
labirinto de idéias
flocos de imagens sobre natais de fumaça.
nada existe, celebremos
aventura.
tudo se instala
o sentido esvaziou-se do oceano
praias da totalidade.
o que não existe
celebra a concretude.
é grave a pedra
a pele desgarrada
o esqueleto do silêncio.
lábios se tocam em alegria
beijo seco
jardim de séculos.
quase nenhuma fala
ninguém
mas os caminhos.
recordemos:
infância veloz
olfato de espantos
estátua ardente arfando
no sonho.
apenas não há
ninguém
mas os espaços
(apenas o já nascido
previamente ido).
infinito buraco sem tempo
celebração.
![]()
ela por fim costurou-se inteira
e minha carne acostumou-se
à claridade.
cada detalhe seu é minha pele
mapa cozido ao som de fogo louco
cântaro de luz colhido à tempestade.
cabelos, sua raiz em testa doce,
súbito nariz e luz a boca brava
no beijo de perfume ouro lava.
seios que sei de tanto trigo
antes de o ventre abrir-se
cavalgantes ninfas
castanhas plumas cintilando aurora.
e na forma da mão a delicada bunda
pousa o gesto pássaro florindo
coxas que em mim roçam o ilimitado.
ela por fim amou-se
lua enterrada
lambida no mistério a claridade.
![]()
neste rosto em que envelheço
o riso da infância arde e canta.
eis o poema e seu arremesso
mar bramindo nas grades da garganta.tal o velho a enforcar a criança
o breu põe a ferros a manhã.
verso a verso a poesia não avança
açúcar gago na treva da maçã.neste corpo em que envelheço
poesia murcha na prosa do verso.
eterno repetir-se nesse espesso
mar de luz, reverso perverso.
![]()
A Moacyr Félix
pensando bem
nenhum ofício aprendi
a não ser este de embaralhar palavras
à procura de uma essência cada vez mais rara
e que tangenciamos quando a noite é tarde.
estranho ofício de tentar no dicionário
discernir sob a pele do rugido
luzes que pensamos ler no irrevelado.
ou seja
nada disso existe
e meu ofício é tatear a melodia
enquanto a noite engendra
o indecifrável.
hipocampos do vazio
infância do cadáver que não se acaba
tempestades mastigadas na madeira do lápis.
pensando bem
nem vale a pena mergulhar
no abismo feito de língua
e eternidade.
nosso infinito é agora
sol de hoje berrando na janela
música de teu corpo sem segredos.
nenhum ofício aprendi
bem sei
e o pouco que tentei entre palavras construir
um oceano seco atirou para este canto
de silêncio e máscara.
esta náusea furta-cor
arremedo de estrela na paisagem
me acende tantos universos paralelos
que asfixiado vou
entre relâmpagos de galáxias.
na verdade
nenhum ofício aprendemos
para saber que os planetas vizinhos são desertos
e que muito pouco resta
para que o homem envenene de vez
a nave sideral do azul.
em que peito de flor e alarde
fundar o rosto da manhã
quando, treva, é tarde?
![]()
Cidade em tijolos de sombra sulfurosa
em línguas de gangrena cabeluda
arte cuspida na luz moída nos muraisSatã, se enfureça de nossa imensa miséria
Cidade dos labirintos uivantes
delirantes vinhedos abafados
sonâmbulas epidemias & espermas filosofaisSatã, se enfureça de nossa imensa miséria
Cidade das vísceras radioativas
anjos enrabados nas neblinas
verbo sem alma os sanguinários jornaisSatã, se enfureça de nossa imensa miséria
Cidade das utopias milenares
pesadelos dos defumados arco-íris
divindades das asfixias mentaisSatã, se enfureça de nossa imensa miséria
Cidade das lepras de vidro arfante
fobias do mel desconhecido
carvão dos lunáticos hospitaisSatã, se enfureça de nossa imensa miséria
Cidade das torres e dos gases sepulcrais
esquifes de luz coxa em fumegantes natais
esqueletos floridos nas chamas de arsenaisBaulelaire, prend pitié de notre misère
![]()
as mulheres mais belas
habitam você
fragor do mar nos vulcões do meio-dia
espuma lunar a flutuar
fotografia que o sonho grava no invisível
(você vestida em nuvem violeta, você e um gato
branco de patas azuis, você fugindo nua
pela praia do infinito,
você dançando o som do violino-pensamento,
você de olhos de surpresa com o peixe pulsando nas mãos,
você, você)
aprender você
intacta liberdade
amor é saber leveza
no centro da tempestade